quarta-feira, 6 de maio de 2015

Sobre o projeto

O cenário político-educacional atual é bastante propício para as discussões sobre as questões negras e indígenas, principalmente porque se refere a um período pós-implementação da Lei 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nos estabelecimentos de ensinos fundamental e médio (BRASIL, 2008). Esta lei altera a Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN e modifica a Lei nº 10.639/03, que incluía no currículo oficial da rede de ensino, apenas a História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (BRASIL, 2003).

Concomitante a isso, os povos indígenas vêm ocupando novos papéis e novos patamares no contexto social, desde a sua inserção nas universidades, como na produção literária e de materiais paradidáticos, como os elaborados por Gersem Baniwa, Daniel Munduruku, Ailton Krenac, Eliana Potiguara, dentre outros; além de produções epistemológicas que servem como base referencial na formação de professores.

A lei 11.645/08 sem dúvida é um ganho importante dentro das políticas educacionais, principalmente se considerada que essa inclusão no currículo oficial de ensino sempre foi uma discussão recorrente dos movimentos negros e indígenas, ambos engajados na luta por uma educação plural que respeite à diversidade e combata as diferentes formas de preconceito. A implementação dessa política pública educacional tem dado mais visibilidade às populações negras e indígenas que foram historicamente silenciadas no espaço escolar, incluindo os inegáveis avanços que tiveram alguns livros didáticos na abordagem de vários aspectos das culturas indígenas, a fim de orientar professores de escolas não-indígenas no tratamento da temática.

Associada a tal conjuntura, se faz mister a formação continuada de professores para a inserção de conteúdos referentes à temática indígena no currículo oficial de ensino, como expressa a lei, sendo um meio possível para subsidiar novas práticas pedagógicas e a mudança de postura e atitude por parte dos docentes para desmistificar e problematizar as informações e os preconceitos associados a  esses povos.

No ano de 2014, a secretaria de educação de Dias D´Ávila deu um passo importante na discussão dessas questões, ao demandar ao COFIC uma formação sobre o tema. A formação foi avaliada como bem-sucedida no debate de tais temas, tanto que nova demanda surgiu, dessa vez com a solicitação de aprofundar os temas ligados às populações indígenas.

A proposta apresentada neste projeto consiste em realizar uma formação com carga horária de 20 horas presenciais e 20 horas à distância, distribuídas em cinco encontros – um por mês – de quatro horas cada e quatro horas online, de acordo com a agenda de cada professor. Os professores participantes receberão uma senha de acesso a um portal de Ensino à Distância, onde acompanharão conteúdos extras e participarão de discussões online. Esse ambiente online permitirá que o curso se estenda além das quatro horas em sala, se tornando mais dinâmico e abrindo espaço para mais conteúdo e interação.

Um comentário:

  1. Parabéns e obrigada!!

    O curso é fantástico e as facilitadoras, muito coerentes em suas falas.
    Aprender a respeitar essa diversidade, sem rotular o outro de "estranho", "selvagem" ou "esquisito", é muito bom, saudável e normal!!
    As pessoas precisam abrir suas mentes!
    Chega de obscurantismo!!

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